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segunda-feira, 26 de maio de 2014

VISÃO HISTÓRICA DO ENSINO-APRENDIZAGEM - alfabetização e escrita

UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC
DEPARTAMENTO DE PEDAGOGIA – CAMPUS/ URUSSANGA
DISCIPLINA: FUNDAMENTOS DA ALFABETIZAÇÃO I
DOCENTE: INÊZ CESCA                                                                                      





VISÃO HISTÓRICA DO ENSINO-APRENDIZAGEM DA LECTO ESCRITA. 
Com origens na pré-história, a escrita e conseqüentemente a leitura passaram por uma longa evolução e fizeram com que a humanidade organizasse símbolos gráficos, que passaram a ser uma necessidade em quase todas as culturas. Historicamente, a invenção da escrita, foi um dos momentos mais importantes da história da humanidade data de cerca de 5.000 anos antes de Cristo; entretanto, seu processo de difusão e adoção pelas sociedades foi lento e sujeito a vários fatores sócio – econômicos.
Segundo Tfouni, (apud Azevedo e Marques, 1997:53):
“A escrita, a mais perfeita criação humana é, portanto, relativamente recente, e é somente a partir do seu aparecimento que a história do homem pôde começar a ser contada e recuperada”.
Ao longo do tempo, o conceito de alfabetização mudou, para responder às necessidades da sociedade, muitos métodos e processos de alfabetização foram criados, modificados e adaptados tentando aperfeiçoar ao máximo o processo de ensino da escrita e leitura.
Enquanto necessidade a alfabetização é um ponto indiscutível, porém, a utilização do método e da cartilha no processo é um tema que gera  polêmica por parte dos professores alfabetizadores.
 “A Alfabetização tem sido uma questão bastante discutida pelos que se preocupam com a educação, já que há muitas décadas se observam as mesmas dificuldades de aprendizagem, as inúmeras reprovações e a evasão escolar. Atualmente, essa questão vem recebendo uma atenção especial da parte dos órgãos oficiais, os quais, entretanto, não têm obtido resultado expressivos em suas tentativas de solucionar os problemas citados”.( Cagliari, 1991:08)
São alarmantes os índices de reprovação e evasão nas primeiras séries do Ensino Fundamental, pois os professores envolvidos não conseguem romper com os velhos paradigmas educacionais, que norteiam o Currículo, a Direção da Escola, os Professores, os Pais e os próprios Alunos.
Em Azevedo, (apud Azevedo e Marques, 1997:32), encontramos:
“Apesar de a década de 90 ter sido proclamada como a Década Mundial da Alfabetização, a previsão é de que a marca dessa desigualdade em termos de alfabetização pesará duramente sobre nossa infância e adolescência. Estima - se que no “ano 2000, uma em cada quatro crianças fará parte desta estatística sombria”. E isso porque já agora a taxa de analfabetismo de crianças e adolescentes é bastante elevada entre nós”. (7)

Uma das formas para alterar o quadro da situação atual da Alfabetização é que as escolas de formação para o Magistério e os órgãos responsáveis pela educação invistam massissamente na capacitação dos atuais e na formação dos futuros professores.
Na década de 80, a ONU, através da UNESCO, lançou bases de um grande projeto educacional, denominado Projeto Principal de Educação para a América Latina e Caribe, na 21ª Reunião da Conferência Geral, realizada em Belgrado, Iugoslávia. O projeto teve como meta oferecer soluções para os problemas do desenvolvimento da educação, no intuito de buscar maior democratização social. Para tanto, estabelece-se quatro grandes objetivos específicos:
1.       Assegurar a escolarização a toda criança em idade escolar, oferecendo-lhe uma educação geral mínima de 8 a 10 anos, antes do ano de 1999;
2.       Eliminar o analfabetismo, promover o alfabetismo funcional e aumentar os serviço de educação de adulto;
3.       Melhorar a cobertura, a qualidade e a eficiência dos sistemas educativos;
4.       Modernizar os estilos de planificação e de gestão para uma educação de qualidade.
A população a ser atingida pelo Projeto Principal é a de crianças de zonas urbanas marginalizadas. Segundo dados da UNESCO, as maiores taxas de repetência se encontram entre essas crianças e especialmente na passagem do primeiro para o segundo ano de escolarização. No Brasil, há repetência de cerca de 60% dos alunos na passagem dessas séries.
O número de analfabetos no Brasil, nas últimas décadas, tem colocado este país em lugar de destaque. Ocupa, segundo a UNESCO, o sétimo lugar em números absolutos, cerca de 19 milhões de pessoas. A Fundação para o desenvolvimento da Educação ( FDE) do Estado de São Paulo elaborou em 1990 um amplo painel estatístico sobre a posição do analfabetismo no país e concluiu que a previsão de analfabetos para o ano 2000, no país, é de 2.900.000, de 7 a 9 anos, e 900.000,de 10 a 14 anos. Constata-se que as metas propostas no Projeto Principla não obtiveram avanço.
Precisa-se conscientizar a nação, os governantes, professores... de que é urgentemente necessária a renovação dos sistemas educativos: redefinição dos fins e funções, profissionalização da educação visando a qualidade educativa e a busca de caminhos novos para o processo de alfabetização. É uma tomada de decisão que reencaminhará o cidadão a integrar-se consciente e culto no 3º milênio !
O modo de compreender o processo de Alfabetização não foi sempre o mesmo, principalmente no que se refere a aplicação metodológica (anexo 1).
Neste sentido, é conveniente apontar os principais métodos de Alfabetização utilizados históricamente para ensinar a ler e escrever.
¨      Os Métodos tradicionais
A etimologia da palavra métodos é de origem grega ( methodos) que designa o mesmo que caminho; o modo sistemático de aplicar o método contitui o processo. 
Pode-se classificar os métodos de alfabetização em dois grandes grupos: Sintéticos e Analíticos. O primeiro grupo vai da Antigüidade até os primórdios do século XIX, sua utilização é quase universal e o segundo à partir do século XVIII inicia-se um processo de oposição teórica ao método sintético pelos precursores do chamado método global, oposição esta que se efetiva realmente no início do século XX, com Decroly. 
·        Método Sintético
O método de marcha sintética é o mais antigo; usado na Grécia e Roma Antiga tem mais de 2.000 anos. Parte do elemento para o todo, isto é, da letra, para a sílaba e da sílaba para a palavra, propõe partir dos elementos mais simples para chegar aos mais complexos. Deste método decorrem cinco processos:
Processo Alfabético ou ABC, de Dionísio de Halicarnasso
( século XV).
Consistia na memorização dos nomes das letras do alfabeto, depois unia-se às mesmas para formar sílabas e palavras. Partia do abstrato sem haver relação com coisas concretas, foi o primeiro processo empregado universalmente na aprendizagem da leitura, já era usado no ano 68 a. C em Roma e na Grécia antiga.
Exemplo: b (bê) + a = ba.
Processo Iconográfico, de Johnn Amós Comênius (1657) .
Propunha o ensino de um alfabeto vivo, cujos elementos correspondessem de maneira onomatopaica.
O Processo consistia em usar uma letra acompanhada de uma figura de um animal cuja voz se assemelhasse ao som da respectiva letra.
Exemplo: O som da letra M seria representado tendo ao lado a figura de um boi mugindo (MUUU!).
Processo de Letras Móveis de João Bernard Basedow (1774).
Basedow, inventou um jogo de letras móveis de várias cores e dimensões que, às vezes, eram feitas de substâncias comestíveis. As crianças deveriam procurar as letras no meio de outras e desenhá-las e, em seguida, formavam sílabas e palavras que eram depois escritas. Como prêmio, aquelas que eram de massa podiam ser guardadas ou comidas.
O processo de Basedow foi aperfeiçoado por Pestalozzi no ano de 1774, quando criou um orfanato para crianças pobres e adaptado por Maria Montessori em 1907 quando fundou em Roma a primeira “Casa das Crianças”, para trabalhar com crianças excepcionais.
Processo fônico de Valentin Ickelsammer ( século XVI).
O processo consiste no ensino da leitura partindo-se do som da letra; o criador, Ickelsammer, encontrou muita dificuldade na época da implantação mas, aos poucos, foi conseguindo adeptos e logo foram criadas cartilhas cheias de explicações.
O professor, antes de ensinar as consoantes, devia preparar os alunos ensinando-lhes as vogais; ao escolher as consoantes, o professor devia iniciar com as que tinham representações onomatopaicas. Fazia o ruído imitando a consoante e eles ouviam e repetiam som. Depois fazia a sua ligação com cada vogal, representando-as graficamente.
Exemplo: O vento faz vvvvvvvv, no caminho encontra o “a” e faz va...
Com as sílabas os alunos formavam palavras e frases que eram escritas na lousa: Vi a vovó, Ivo vê o ovo...
Processo silábico ou silabação de Samuel de Heinicke ( século XVIII).
A fase mais avançada dos métodos sintéticos, para o pedagogo alemão, a aprendizagem partia da sílaba e não da letra.
Heinicke era professor de surdos-mudos e procurava ensinar a leitura labial. Chegou à conclusão de que aprendiam mais depressa quando mostrava as sílabas escritas e ao mesmo tempo as pronunciava, para poderem lê-las nos lábios.
O processo foi aprovado para todas as crianças, notando-se que havia aprendizagem através da repetição.
Nesse processo, empregam-se as unidades-chaves: as sílabas que depois se condicionam em palavras e frases.
Ensinam-se as vogais que se juntam à gravura do nome.
Exemplos: A letra U com o desenho da uva.
A sílaba ca de casa - ba de bala - ca de caju
No processo silábico é utilizado um número elevado de monossílabos da língua para treino mecânico da leitura, que é a maior preocupação nesse processo. A escrita é secundária, pois é usada para fixação de vocabulários.
As limitações apresentadas pelo método sintético:
Ø      Impõe à criança o conhecimento e reconhecimento de signos isolados ou agrupados em sílabas que carecem de sentido, incompreensíveis para ela;
Ø      Obrigam a criança, uma vez reconhecida a sílaba, usá-la em palavras e frases que não pertencem ao seu vocabulário;
Ø      Ensinam a leitura de forma mecânica, sem comprensão. Essa falta de sentido no que lêem mata o interesse da criança pela leitura.
Muitos autores, definem esse método como uma tortura para o aluno, principalmente no que se refere ao processo alfabético.
Sua divulgação ganhou o mundo rapidamente e passou a ser adotado pelos professores adiantados da época. Até os nossos dias a silabação é o processo mais usado, principalmente no Brasil. 
  • Os Métodos Analíticos.
O Método de marcha Analítica, surgiu em oposição ao método Sintético e concebe a leitura como um ato global e ideovisual, parte das unidades maiores para as menores, através da análise e decomposição.
Consiste no ensino da leitura e escrita segundo a ordem de decomposição progressiva do material, a partir, portanto, de “todos” gráficos, isto é, sentenças ou palavras, Os passos do processo devem percorrer em sentido contrário.
Desse método decorrem os seguintes processos:
Processo de Palavração ou de Palavras Normais foi criado pelos professores de Kramer e Vogel em 1843.
A aprendizagem parte do todo, com palavras concretas e significativas, retiradas de uma história, conversa, desenhos, cantigas, dramatização, hora da novidade. Decroly aperfeiçou o processo associando a palavra à gravura correspondente.
Processo Ideovisual, Ideográfico ou de Palavras-tipo, criado por Decroly, em 1936 , na Bélgica.
Parte de uma motivação (desenho, história, verso, etc.) e apresenta a palavra ligada ao desenho. Este processo evoluiu para a palavração e palavras progressivas.
Processo de Sentenciação, liderado por Randovilliers (1768) , Nicolas Adam (1787)  e Jacotot ( 1843)
O ensino desse processo teve início na Europa e nos Estados Unidos, porém as idéias desses precursores não vingam no seu tempo, somente no início do século XX ficou definitivamente comprovada a eficiência da aprendizagem da leitura por meio da globalização, pois nesta época houve o incremento da Psicologia Experimental.
Esse processo parte do todo para as partes atendendo a Psicologia da criança, que é mais globalizadora: frase – palavra – sílaba – letra.
Embora fazendo o aluno receber porções de sentido mais completo das palavras, o processo ainda não é satisfatório sob este aspecto, pois a sentença isolada é parte de uma idéia que só a história apresenta de maneira completa.
Processo do Conto: Criado pela Educadora Margarida Mc Closkey ( século XX).
É uma decorrência natural do processo de Sentenciação.
As sentenças são as partes de um todo maior, mais interessante e significativo. Apresentam-se, gradativamente, partes de uma história completa que a criança irá memorizar.
O professor conta a história e faz com que os alunos a reproduzam. O professor lê o texto e as crianças repetem; posteriormente, faz-se o reconhecimento das frases dentro e fora de ordem.
A seguir acontece a decomposição do texto em frases, depois em palavras, em sílabas e finalmente em letras ou sons. 
No convívio com este material, a criança deveria reconhecer as palavras individualmente.
O resultado dessas medidas extremistas era o número sempre crescente de crianças e jovens que não sabiam ler, o método analítico apresentou avanços em relação ao sintético; porém, possui  desvantagens como:
Ø      Exploração de palavras e frases totalmente fora da realidade e do contexto social do aluno;
Ø      As palavras e frases fazem parte de uma idéia que, se trabalhadas isoladamente, não têm sentido para a criança;
Ø      Desvincula a criança do seu meio, da sua realidade;
Ø      Afetam o interesse da criança pela leitura.

·      O Método Eclético.
O método Eclético, foi considerado a grande descoberta no campo metodológico,  utiliza análise e síntese, ao contrário dos outros que são analítico ou sintético, o método é considerado global, porque parte de um todo, mas segue os passos do método sintético: som, sílabas, palavras, frases.
Manisfestou-se  no Brasil, em 1920, uma verdadeira batalha entre os defensores do método Sintético e dos partidários do método Analítico, provocando acirrados debates e, para agradar a gregos e troianos, uniram as orientações dos dois métodos para a criação do Método Eclético que contempla o método Sintético e Analítico, no qual se conciliam todos os processos estabelecendo a liberdade de escolha do método de ensino de leitura e escrita.
Por ser o método eclético a junção do método sintético e analítico e seguir os  mesmos passos, continuam a aprensentar limitações como:
Ø      Histórias desvinculadas do conhecimento real da criança, os textos não possuem estrutura lingüística, apresentam diálogo artificial;
Ø      As atividades são baseadas em leitura e interpretação de textos, exploração de palavras e decomposição das famílias silábicas;
Ø      A criança não tem oportunidade de produzir o seu próprio texto, partindo de suas experiências e vivências sociais.
 A Sistematização dos Métodos Tradicionais: As Cartilhas de Alfabetização. 
Pode-se constatar que a concretização dos métodos tradicionais de alfabetização se encontram, mais ou menos, sistematizados nas cartilhas em uso, sendo: as cartilhas sintéticas, analíticas e mistas. As mesmas foram se multiplicando no tempo, solidificando e propagando o modelo de leitura idealizado pelas metodologias tradicionais, fundamentadas nas concepções Inatista e Empirista, às quais nos reportaremos mais adiante. 
A cartilha preenche os requisitos necessários para ser um instrumento pedagógico dentro de uma prática pedagógica e concepção tradicionais. Os textos de cartilha prendem-se aos sons e às marcas gráficas, duvidando da inteligência da criança, de seus conhecimentos cotidianos.
A suavidade do Reino da Alegria, nem sempre é comum para todas as crianças que, empurradas para o mundo das Letrinhas Mágicas, devem Ler a Jato a cartilha no Recreio.
(...) serão as cartilhas o grande mal de nossa alfabetização?
Para quem falam as cartilhas? Que sentido tem o que dizem as crianças que “suave” ou “amargamente”, são impelidas a seguirem seus caminhos, ou melhor, a se pautarem por suas linhas?(Dietzsch, 1999:36)

O caminho suave percorrido pela criança até encontrar alegria de saber, ler e escrever é, muitas vezes, atrapalhado pela cartilha.
O recurso didático mais utilizado nas escolas, em termos de alfabetização, é a cartilha. Contudo, a grande maioria dos professores não conhece a sua influência em cada época da sua evolução histórica.
A origem e o desenvolvimento da literatura didática no Brasil dispõe de poucas informações devido ao desinteresse de pesquisadores e também por causa de um grande número de livros didáticos se mostrarem efêmeros no tempo.
A cartilha tem sua origem ligada aos silabários do século XIX. As cartilhas brasileiras têm suas origens históricas em Portugal e foram trazidas através dos jesuítas nos primórdios da educação.
Por volta do final do século XV, Portugal utilizava nas escolas cartinhas que, posteriormente, foram chamadas de cartilhas. Eram pequenos livros que reuniam o abecedário, o silabário e rudimentos de catecismo.
As décadas de 10, 20 e 30 trazem ao cenário educacional várias cartilhas fundamentadas pelos métodos sintético e analítico.
A adoção de cartilhas tem sido vista, ano após ano, como “salvadoras da pátria“, apresentam-se quase como máquinas-de-alfabetizar, capazes de realizar sua tarefa em semanas, dias e horas.
“Os textos das cartilhas adotadas nas escolas brasileiras, desde a década de 20 até nossos dias, orientam-se por uma ideologia  conservadora e não direcionada para o desenvolvimento da criatividade e criticidade. Pautam-se pela filosofia da gramática tradicional articulada ao ensino tradicional da escola brasileira. Excluindo-se alguns textos de manuais que aparentemente tentam avançar em busca da criatividade, ainda vivem cerceadas pelos limites do regime político e consequentemente, da pesquisa na área educacional. (Cesca, 1995:13) 

Os valores ideológicos contidos nas cartilhas estão distantes da realidade vivida por inúmeras crianças brasileiras. A visão apresentada pelos textos das cartilhas é de um mundo maravilhoso, feliz e sem problemas sociais.
Ao lado desta visão aparecem também os valores machistas, racistas e conservadores, pois em seus textos, as famílias vivem em perfeita harmonia formadas por pai, mãe, irmãos, avós, tios e residem sempre próximo  a “lindos” bosques e lagos. As mães cuidam das tarefas domésticas enquanto os pais vão para o trabalho, as empregadas são negras e as crianças estudiosas têm o privilégio de passar as férias na fazenda do vovô. Ignorando todo o contexto que envolve a criança e o conhecimento já construído pelo aluno, a sua realidade, a cartilha parte do pressuposto de que todas as crianças são iguais, por conseqüência têm as mesmas condições de aprendizado e o mesmo nível sócio-econômico.
Pode-se constatar que nestes termos, os personagens apresentados pelas cartilhas vivem numa época indefinida, num país sem nome, sem classes sociais e sem diversidades culturais ou lingüísticas.
A cartilha não oferece espaço, espontaneidade e imaginação para a criança, pois traz prontas as lições e as gravuras. Suas histórias estão longe de atrair a criança para a leitura. Seus textos limitados, sem estrutura lingüística adequada à construção da criança, com um diálogo artificial. Apresentam um número reduzido de palavras e estas são, na sua maioria, monossílabos e dissílabos e os nomes que são apresentados de norte a sul abundam em sílabas dobradas chamados. “Lili”, “Dudu”, “Lala”, “Fafá”, “Gigi”, “Zazá”, amam, mimam, babam ou bebem, sem se preocupar com os nomes das crianças do grupo escolar e, sem dúvida, isso é importante: nenhum nome é tão significativo quanto o seu próprio nome.
A justificativa de tais práticas ancestrais: pretende-se que a criança compreenda a mecânica da decodificação; depois – e somente depois – poderá fazer algo inteligente. (Ferreiro, 1993:34)   
Frente a cartilha a criança sente-se confusa, pois já possui um conhecimento construído, além de não contemplar, ainda não respeita.
FONTE: Extraído da Dissertação de Mestrado da Profª. Maria Inêz
              Salvador Cesca- IPLAC –Cuba / UNESC - Criciúma, julho-2000.


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