segunda-feira, 1 de março de 2021

Cidadania: origem do conceito

 

Fonte: Unopar março 2020

A palavra cidadania tem origem do latim civitas que quer dizer cidade. Sua origem remonta à Grécia antiga, nas cidades-estados, a polis, ou seja, as cidades-estados gregas, cujas características eram equivalentes ao que conhecemos hoje como cidade. Neste contexto histórico estava relacionado aquele indivíduo que vivia na cidade-estado e gozava de plenos direitos de vida. Era cidadão nas cidades gregas aquele que era livre e podia usar, por exemplo, da palavra em locais públicos, neste caso na ágora, praça pública Grega. A civilização grega inaugurava uma grande revolução na história da humanidade. As decisões eram tomadas publicamente, na ágora, por meio da palavra, do argumento, não mais pela força, pela violência. Trata-se da superação institucional da força em detrimento do argumento. Algo inédito da história da humanidade. Era um modo de diferenciar pessoas gregas das demais, escravizadas em razão da dominação de suas comunidades pelos gregos.  

Mulheres e escravos, os metecos, não podiam fazer uso da palavra, o direito de falar era restrito a homens adultos. Mesmo que nos pareça estranho era um avanço significativo que culminou, gradativamente, com as mudanças que temos hoje.  

São dos gregos e seu sistema político que estruturamos muitas das vivências atuais. Tratavam-se de povos bastante avançados para sua época e guardadas as devidas proporcionalidades históricas, muito avantes em relação ao seu tempo. É deles também a responsabilidade pelo desenvolvimento do conceito de Democracia. Algo que não é tema de nossa aula neste momento.  

Enfim, é na Antiguidade Grega que a humanidade deu um passo importante afim de superar o entendimento da condição de nascimento. Até então, um indivíduo possuía determinadas obrigações e concessões (não podemos falar em direito nesta época, porque esse conceito ainda não existia) em razão do seu nascimento ou por suas conquistas físicas, por meio da força. Inaugura-se uma nova forma de condição no mundo, a capacidade de argumentar, ou seja, um resultado do pensamento, da racionalização da vida humana.  

Portanto, todo homem adulto que pertencia à cidade, e não fosse escravo ou mulher, era igual entre si, e podia ter a mesma condição.  

Ao longo de muitos séculos o conceito de cidadania aprimorou-se e semanticamente não quer dizer atualmente apenas que alguém mora ou pertence a uma cidade, está relacionado à capacidade e à condição de exercer direitos e deveres em uma determinada comunidade e contexto social. Desenvolvemos direitos civis e políticos e todos, indistintamente, sejam mulheres, homens, negros, brancos, crianças, de qualquer nacionalidade ou idade, podem exigir e exercer seus direitos.  

Algo que remonta a milhares de anos atrás, fruto da ação filosófica da humanidade, resultou em algo tão crucial e determinativo para que nossa vida atual fosse mais confortável. Uma das formas de exercer a cidadania é o voto.

CIDADANIA E VOTO

O voto é uma das formas de exercermos a cidadania e é sobre esse exercício que vamos tratar aqui.

VOTE CONSCIENTE. MAS, CONSCIENTE DO QUÊ ?

Uma das frases mais ouvidas em época de eleições é faça um voto consciente. Certamente você já ouviu isso algumas vezes nessa época de campanhas. Mas a verdade é que votar consciente é muito mais fácil falado do que dito. Qual seria a fórmula para votar consciente? Que passos você deve seguir para ter certeza de que está fazendo uma boa escolha? Vamos aqui trazer algumas ideias que você deve ter em mente na hora de escolher seus candidatos.

 

O QUE, AFINAL, É UM VOTO CONSCIENTE?

Quando se fala em votar conscientemente, faz-se referência à importância de um voto tomado a partir de informações adequadas, que apontem ao eleitor que o votado é quem está mais apto a atender às demandas da população. Em certo nível, trata-se também de um voto “desapegado”: antes de pensarem vantagens pessoais, o eleitor deve pensar na coletividade, nas pessoas que o rodeiam: o que elas querem? O que eu acredito que elas precisam? É esse tipo de questionamento que deve estar na mente de um eleitor na hora de definir seu voto.

Um voto consciente é feito com a consciência de que foi feita uma escolha adequada. Você deve ser capaz de dizer: com um conhecimento adequado sobre os candidatos em questão, escolhi aquele que acredito estar mais apto a gerir o patrimônio e o interesse públicos.

 

ALGUNS PONTOS PARA OBSERVAR ANTES DE DEFINIR SEU VOTO

Enumeramos algumas das melhores práticas na hora de definir o voto. Veja:

1) CONHEÇA OS CARGOS A QUE OS CANDIDATOS ESTÃO CONCORRENDO

Em 2016, temos eleições para os cargos de prefeito e vereador. Ambos possuem diferenças entre si. Muitas vezes, um candidato pode ser uma ótima pessoa, mas simplesmente não ter perfil para o cargo a que está concorrendo.

2) CONHEÇA OS CANDIDATOS, PARTIDOS E/OU COLIGAÇÕES

Cada candidato deve elaborar e apresentar um programa de governo. Conheça as propostas principais de cada candidato e veja com quais delas você mais se identifica. A afinidade ideológica é muito importante, afinal existem grandes ideias sobre a melhor maneira de se gerir uma sociedade.

Entretanto, ainda fica faltando considerar um aspecto importante: a lisura do candidato. Seria aquele um candidato corrupto, interessado apenas no que ele pode ganhar para si com a política? Qual o passado desse candidato? Outro ponto importante é perceber se o candidato possui uma vida dedicada à política. Estar envolvido com a política há muito tempo pode ser um sinal positivo –já que pode demonstrar que o candidato realmente se dedica a isso –, como pode também ser um sinal negativo, afinal, existe a possibilidade de ele estar envolvido em negociatas escusas que existem nesse meio.

De qualquer forma, saber a história do seu candidato em detalhes revelará coisas importantes sobre seu passado e suas convicções e lhe dará uma ideia melhor sobre sua aptidão ao cargo em questão. E como ir atrás dessas informações? O Tribunal Superior Eleitoral mantém um site com diversas informações sobre os candidatos durante as eleições. A internet oferece farto material sobre a política brasileira e pode trazer muitas informações sobre os candidatos que você está avaliando.

Além disso, o horário eleitoral gratuito pode ser uma importante ferramenta nessa tarefa, apesar que de que você deve levar em conta que os principais candidatos possuem mais tempo de propaganda, como também são respaldados por equipes profissionais de marketing, que calculam todos os movimentos deles, a fim de torná-los mais agradáveis ao público.

Outro ponto importante é: em que partido ele milita? Esse partido formou coligações com outros partidos? Quais foram eles? Tudo isso é importante, afinal não há candidaturas independentes no Brasil. Assim, todos os candidatos estão inseridos na lógica da política partidária. Quer saber mais sobre os partidos políticos brasileiros?

 

3) CONHEÇA AS REGRAS DO JOGO

As eleições podem ser encaradas como um grande jogo, uma disputa condicionada a um conjunto de regras que as tornam (em teoria) mais justas e democráticas.

· Você sabe como ficaram as regras do financiamento de campanhas?

· Já ouviu falar sobre o quociente eleitoral, que ajuda a definir quem estará na câmara de vereadores da sua cidade?

· Sabe como se divide o tempo no horário eleitoral? E o que é permitido ou proibido como parte de uma campanha política (showmícios, distribuição de brindes, etc.)? Todos esses detalhes contam bastante e é importante que você, como eleitor, os entenda.

 

4) SAIBA EM DETALHES AS OPÇÕES QUE VOCÊ TEM NA HORA DE VOTAR

 

Não esqueça os números de seus candidatos! De preferência, anote-os e leve com você no dia da votação. Você pode anular seu voto ou deixá-lo em branco. É um direito seu, mas lembre-se:  ambos acabam por invalidar seu voto e ter impacto zero na apuração do resultado (apenas dá uma forcinha para o candidato mais votado). Cabe a você decidir se anular o voto é mesmo a decisão mais acertada.

 

5) NÃO VENDA SEU VOTO!

Além de ser obviamente uma prática ilegal, tratar seu voto como mercadoria é de um descaso inadmissível. Ao fazer isso, você já elege uma pessoa que se utilizou de métodos imorais para chegar a um mandato político. Seu trabalho junto ao poder público já nasce manchado e não tem a menor garantia de que será pautado em prol do cidadão. E você abdica de seu papel como cidadão. A democracia é jogada no lixo.

 

6) NÃO SE ESQUEÇA DA IMPORTÂNCIA DO VOTO

Todos estamos carecas de ouvir sobre a importância de votar. Desde pequenos nos falam que votar é uma questão de cidadania; que é um direito social conquistado a duras penas no Brasil; e que é expressão da vontade popular, que é soberana em uma democracia.

Infelizmente, votar parece ser mais uma daquelas situações em que existe uma grande dificuldade de se associar a ação à sua consequência. Muitos acreditam que não faz a menor diferença gastar tempo pensando no melhor candidato –afinal, dizem, eles são todos iguais e no fim das contas sempre se revelam corruptos. Ainda pior do que esse grupo de pessoas descrentes da política são aqueles que negociam seu voto por vantagens pessoais, como cargos comissionados e benesses “informais” (para não dizer ilegais) junto ao poder público –apenas mais um dos traços do patrimonialismo ainda presente no Estado brasileiro. Ainda existem aqueles que acreditam que a política é um jogo de cartas marcadas e que os políticos são apenas fantoches na mão das pessoas e empresas que realmente possuem o poder.

O fato é que um voto consciente sempre será melhor do que um voto não consciente: um voto vendido, anulado, ou feito na brincadeira. Se existem problemas que precisam de uma mudança que vai além da consciência ou da instrução dos eleitores, eles não podem impedir ninguém de exercer sua responsabilidade como cidadão.

CIDADANIA E VOTO

O voto é uma das formas de exercermos a cidadania e é sobre esse exercício que vamos tratar aqui.

VOTE CONSCIENTE. MAS, CONSCIENTE DO QUÊ ?

Uma das frases mais ouvidas em época de eleições é faça um voto consciente. Certamente você já ouviu isso algumas vezes nessa época de campanhas. Mas a verdade é que votar consciente é muito mais fácil falado do que dito. Qual seria a fórmula para votar consciente? Que passos você deve seguir para ter certeza de que está fazendo uma boa escolha? Vamos aqui trazer algumas ideias que você deve ter em mente na hora de escolher seus candidatos.

 

O QUE, AFINAL, É UM VOTO CONSCIENTE?

Quando se fala em votar conscientemente, faz-se referência à importância de um voto tomado a partir de informações adequadas, que apontem ao eleitor que o votado é quem está mais apto a atender às demandas da população. Em certo nível, trata-se também de um voto “desapegado”: antes de pensarem vantagens pessoais, o eleitor deve pensar na coletividade, nas pessoas que o rodeiam: o que elas querem? O que eu acredito que elas precisam? É esse tipo de questionamento que deve estar na mente de um eleitor na hora de definir seu voto.

Um voto consciente é feito com a consciência de que foi feita uma escolha adequada. Você deve ser capaz de dizer: com um conhecimento adequado sobre os candidatos em questão, escolhi aquele que acredito estar mais apto a gerir o patrimônio e o interesse públicos.

 


 

Conteúdos e metodologias específicas de Alfabetização e Letramento

fonte:unopar

 1 A questão dos métodos nos processos de alfabetização e letramento

Ao nos referirmos aos processos de ensino e aprendizagem da leitura e da escrita é imprescindível estudar as questões metodológicas pelas quais os educadores organizam o seu trabalho pedagógico. Essa discussão é necessária, pois muito se fala que a alfabetização e o letramento dependem do emprego de bons métodos de ensino. A questão metodológica na organização desses processos é fundamental, mas é preciso ressignificar o próprio conceito de método no contexto específico da aprendizagem da leitura e da escrita. Gostaria de apresentar para você um breve resumo dos métodos de alfabetização que foram utilizados na história da alfabetização no Brasil. Os teóricos classificam os métodos de ensino em dois grandes grupos, baseados nos princípios psicológicos neles envolvidos: os sintéticos e os analíticos. Outros admitem ainda um terceiro grupo, o analítico-sintético ou mistos, resultantes da combinação dos dois processos. 

 

 Métodos sintéticos

Os métodos sintéticos subdividem-se em:

a)     alfabético: o aluno aprende as letras isoladamente, liga as consoantes às vogais, formando sílabas; reúne as sílabas para formar as palavras e chega ao todo (texto);

b)     fonético ou fônico: o aluno parte do som da letras, une o som da consoante ao som da vogal, pronunciando a sílaba formada;

c)     silábico: o aluno parte das sílabas para formar palavras.

 Métodos Analíticos

Os métodos analíticos subdividem-se em:

a)     palavração: este método parte da palavra. Existe aqui a preocupação de que vocábulos apresentados tenham sequência tal, que englobam todos os sons da língua e as dificuldades sejam sistematizadas gradativamente. Depois da aquisição de determinado número de palavras, formam-se as frases;

b)     sentenciação: esse método parte da frase para depois dividi-la em palavras, de onde são extraídas os elementos mais simples: as sílabas;

c)     conto, estória (global): esse método é composto de várias unidades de leitura que apresentam começo, meio e fim. Em cada unidade, as frases estão ligadas pelo sentido para formar um enredo, havendo uma preocupação quanto ao conteúdo que deverá ser do interesse da criança.

 

Métodos Mistos ou Ecléticos

Os métodos ecléticos são os analítico-sintético ou sintético-analítico. Têm como características as atividades simultâneas de análise e síntese, compor e decompor (ou vice-versa) no âmbito de uma lição, a partir da qual os alunos são levados a analisar, comparar e sintetizar, simultaneamente, até se familiarizarem com os elementos da linguagem e dominar o mecanismo da leitura.

Quando pensamos num ambiente alfabetizador, imaginamos que a criança num ambiente alegre, repleto de letreiros, embalagens, jornais, revistas, livros para que ela tenha acesso ao mundo da escrita. É inegável que a criança brinca, independente do apoio ou a promoção do adulto. Além disso, a criança não precisa de nenhum incentivo para iniciar uma brincadeira. O educador no planejamento e construção do ambiente alfabetizador pode criar ambientes lúdicos com materiais escritos significativos ao universo infantil para que as crianças vivenciem o letramento de maneira intencional.

Brincar no processo de alfabetização e letramento integra as atividades e deve fazer parte do trabalho pedagógico. Para a criança, ela está apenas brincando, mas o educador, profissional teoricamente sofisticado, esse brincar é dotado de muitos significados e promove o desenvolvimento e a aprendizagem da criança. De acordo, com Piaget, os jogos fazem parte do ato de educar, num compromisso consciente, intencional e modificador da sociedade; educar ludicamente não é jogar lições empacotadas para o educando consumir passivamente. Antes disso é um ato consciente e planejado, é tornar o indivíduo consciente, engajado e feliz no mundo (WAJSKOP, 1995, p.63).

Várias são as formas de brincar e, em todas elas existem o processo de criatividade e construção. O brinquedo proporciona o aprender-fazendo e brincando. Por meio de jogos e brincadeiras, a criança pode aprender novos conceitos, adquirir informações e até mesmo superar dificuldades de aprendizagem.A criança frente a situações lúdicas desenvolve o funcionamento do pensar e alcança níveis de desempenho que só por meio da estimulação e do brincar são atingidos. É essencial que a criança brinque. Brincando, cantando, se expressando, contando, brincando com as histórias ou simplesmente ouvindo-as, ela estará se desenvolvendo como um ser integral. Brincar em sala de aula proporciona momentos ricos em interação e aprendizagem, auxiliando tanto os professores como as crianças no processo de ensino e aprendizagem. Por meio do brincar há criação, imaginação, antecipação e inquietação. Assim, transforma-se, levanta-se hipóteses e traça estratégias para a busca de soluções. 

Entendemos que utilizar uma proposta que privilegie o brincar (brincadeiras, jogos, histórias, dramatização e manifestações artísticas) atraia, motive e acima de tudo, convoque a criança a participar. Esta participação espontânea faz com que ela se torne uma “pesquisadora” consciente do objeto de ensino, objeto que nós os professores colocamos ao seu alcance. Desta forma, gerenciamos o aprendizado à medida que escolhemos o que colocamos à disposição desta pesquisa, o conteúdo que julgamos ser importante e estar no momento adequado para a criança aprender. Consideramos que o brincar deva ocupar um espaço central na educação das crianças e, entendemos que o professor é figura fundamental para que isso aconteça, criando os espaços, oferecendo material e partilhando das brincadeiras. 

Se, para criança, a escrita é uma atividade complexa, o jogo, ao contrário, é um comportamento ativo cuja estrutura ajuda na apropriação motora necessária para a escrita. Ao lado das atividades de integração da criança à escola, deve-se promover a leitura e a escrita juntamente, utilizando-se para isto a dramatização, conversas, recreação, desenho, música, histórias lidas e contadas, gravuras, contos e versos. O jogo se convenientemente planejado, é um recurso pedagógico eficaz para a construção do conhecimento sistemático. Três aspectos, por si só, justificam a incorporação do jogo nas aulas: o caráter lúdico, o desenvolvimento de técnicas intelectuais e a formação de relações sociais. Os jogos fornecem um suporte metodológico importante, pois através deles, os alunos podem criar, pesquisar, brincar e aprender. Quando a criança brinca, ela o faz de modo bastante compenetrado, nesse momento, ela não está preocupada com a aquisição do conhecimento ou desenvolvimento de qualquer habilidade mental ou física, mas, é nesse momento que ocorre a aprendizagem.

Porém essa perspectiva não é tão fácil de ser adotada na prática. Podemos nos perguntar: como? O bom uso de jogos em aula requer que tenhamos uma noção clara do que queremos explorar ali e de como fazê-lo. Questões práticas quanto à implantação dos jogos e quanto à regularidade com que o jogamos também precisam ser discutidas para que possamos tirar pleno proveito do jogo como recurso pedagógico e instrumento de trabalho. A partir da construção e da vivência em ambientes lúdicos com materiais escritos, a criança poderá ter a oportunidade de apresentar um comportamento de letramento. A grande contribuição da construção desse ambiente é a possibilidade de proporcionar o contato com a leitura e a escrita de maneira contextualizada, divertida e, acima de tudo, com possibilidade de transformação.

 

Saiba Mais

·                  BRANDÃO, Ana Carolina Perrusi; ROSA, Ester Calland de Souza (orgs.). Leitura e produção de textos na alfabetização. Belo Horizonte: Autêntica, 2005. Disponível em: http://www.ceelufpe.com.br/e-books/Leitura_Livro.pdf

·                  SILVA, Alexsandro da; MORAIS, Artur Gomes; MELO, Kátia Leal Reis de (orgs.). Ortografia na sala de aula. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. Disponível em: http://www.ceelufpe.com.br/e-books/Ortografia_Livro.pdf

·                  PERRUSI, Ana Carolina; LEAL, Telma Ferraz (orgs.). Produção de textos na escola: reflexões e práticas no ensino fundamental. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. Disponível: http://www.ceelufpe.com.br/e-books/Producao_Livro.pdf

2 O Planejamento Pedagógico em relação à leitura e escrita

É fundamental planejar. Planejar permite tornar consciente a intencionalidade que preside a intervenção; permite prever as condições mais adequadas para alcançar os objetivos propostos; e permite dispor de critérios para regular todo o processo. Se admitirmos que as finalidades da educação – favorecer o desenvolvimento da criança em todas as suas capacidades – alcançam-se mediante o trabalho que se realiza em torno dos conteúdos que fazem parte do currículo, é inegável que a análise e a tomada de decisões sobre o planejamento constituem um elemento indispensável para assegurar a coerência entre o que se pretende e o que se sucede na sala de aula. Planejar é refletir sobre o que se pretende, reflexão como se faz e como se avalia. Trata-se de uma reflexão que permita fundamentar as decisões que são tomadas e observadas pela coerência e pela continuidade. 

REFERÊNCIAS

BASSEDAS, E. Aprender e ensinar na Educação Infantil. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.

CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetizando sem o ba-bé-bi-bó-bu. São Paulo: Scipione, 1998.

CARDOSO, Beatriz, EDNIR Madza. Ler e escrever, muito prazer! São Paulo: Ática, 1998.

PIAGET, J. A formação do símbolo na criança: imitação, jogo e sonho, imagem e representação. 3ed. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1978.

OLIVEIRA, V.B (org). O brincar e a criança do nascimento aos seis anos de idade. Petrópolis: Vozes, 2000.

WAJSKOP, G. O Brincar na Educação Infantil. Cadernos de Pesquisa, 92, 62-69, 1995.

FERREIRO, Emilia, TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.

SOARES. Magda. Letramento e alfabetização: as muitas facetas. Revista Brasileira de Educação, Minas Gerais, n. 25, p. 5-17, jan./fev./mar./abr./ 2004.

SOARES, M. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 1998.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. São Paulo. 41ª ed.Cortez. 2001.

TFOUNI, L.V. Letramento e alfabetização. São Paulo, Cortez,1995.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

 A História da Pedagogia, do curso de Pedagogia e da Educação no Brasil: a universalização da escola

 fonte:Unopar

O início do século XX assistiu a um movimento educacional intenso, fruto das influências da escola Nova que os educadores de visibilidade tiveram, tais como Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo e Lourenço Filho. Esse movimento foi parte de um contexto marcado pelo modernismo.

As críticas à escola tradicional se intensificavam e as manifestações por uma modernização dos conteúdos e métodos escolares culminaram na criação da Associação Brasileira de Educação – ABE (1924), formada por intelectuais da educação. Essa Associação teve papel importante na educação dos anos de 1920 e 1930, encabeçando a mobilização de educadores na escrita do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, enviado ao governo no ano de 1932, além de suas Conferências terem influenciado criação do Ministério da Educação e Saúde (1930), no início do Governo Provisório de Getúlio Vargas. Nesse período, tivemos a Reforma denominada Francisco Campos, centrada, principalmente, na expansão do Ensino Secundário.

Tratava-se de um período de abertura democrática, que fermentava o debate educacional, mas que foi interrompido em 1935, com a repressão do segundo governo de Getúlio Vargas, numa ditadura civil, que tentava bloquear qualquer possibilidade de algum tipo de revolução de base socialista. Tal governo reprimiu os educadores, fazendo o debate educacional esfriar.

Entretanto, mesmo em meio a um regime ditatorial:

Criam-se instituições como o INEP (1938), os serviços de rádio, cinema e TV (1937-38), o SENAI (1942) e o SESI (1943). É também o tempo dos decretos-lei que instituíram as Leis Orgânicas do ensino de nível médio: industrial, secundário e comercial (BUFFA e NOSELLA, 2001. p. 96).

As Leis Orgânicas foram fruto das Reformas promovidas por Gustavo Capanema, ministro da educação da época. Se de um lado o governo manteve uma postura centralizadora e ditatorial, por outro se preocupou em resolver a questão que relacionava educação e trabalho, buscando a profissionalização do ensino secundário, principalmente num contexto de industrialização. Observa-se um traço ainda de elitismo e exclusão, porque essa escola profissionalizante se destinava aos que não seriam os administradores do país, mas aos que seriam a mão-de-obra da indústria.

Com uma reabertura política após 1945 e uma nova Constituição Federal promulgada (1946), a educação ganhou força popular e uma ampla discussão acerca da elaboração da Primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB, que só seria sancionada em 1961. Trata-se de uma época em que a disputa entre católicos e defensores da laicidade lutavam pelo domínio educacional, além da disputa entre instituições educacionais públicas e privadas. Em outras palavras, muitos setores se envolveram na questão, desde os mais conservadores aos mais progressistas.

Além disso, já por volta das décadas de 1950 e 1960, outros movimentos sócio-educacionais vão surgindo “como, por exemplo, o Centro Popular de Cultura (CPC), o Movimento de Educação de Base (MEB), o Movimento de Cultura Popular (MCP)” (BUFFA e NOSELLA, 2001. p. 117). Dentre eles, pode-se destacar as iniciativas de Paulo Freire e a alfabetização de adultos na perspectiva do respeito aos conhecimentos do educando e o aprendizado por meio da conscientização dialogada.

Esse movimento foi freado com o chamado Golpe civil-militar do ano de 1964, quando o debate educacional é mais uma vez silenciado, assim como os próprios movimentos educacionais populares se findam. Entramos num período em que a educação passou a ser vista como um elemento que servia ao capital mundial, haja vista os acordos firmados com os Estados Unidos, chamados acordos MEC-USAID, os quais foram duramente questionados pelo Movimento Estudantil de oposição ao governo.

Vimos no período político militar que a educação passa por reformas, tais como a Reforma Universitária de 1968, a Reforma da LDB com a Lei 5.692 de 1971 (Ensinos de Primeiro e Segundo Graus) e o Mobral. Buscava-se a obrigatoriedade de 8 anos mínimos de estudos, o combate ao analfabetismo e a reorganização do ensino superior. Houve uma expansão quantitativa de educação de Primeiro Grau, mas com baixa qualidade e ensino totalmente tecnicista, o que manteve, inclusive, os índices de analfabetismo altos.

No final do regime político militar, observa-se uma crise inflacionária e de endividamento externo, além das taxas de crescimento econômico diminuir. A oposição cresce e os movimentos educacionais também se fortalecem novamente, por meio de associações e sindicatos.

Após 1985, com a efervescência da elaboração de uma nova Constituição Federal, que seria promulgada em 1988, fala-se também na ideia de se ter uma nova LDB, em meio a um contexto de fortalecimento das instituições democráticas e movimentos sociais e políticos. Essa nova LDB é promulgada em 1996, já a partir de um movimento influenciado pelo Banco Mundial e as politicas públicas globalizadas que se voltam aos mecanismos de avaliação internacional. Isso significa que, se de um lado a LDB traz uma conquista de renovação para novas diretrizes educacionais, por outro representa uma política que se define por índices que devem ser alcançados quantitativamente a qualquer custo. O século XX se encerra com os movimentos para várias diretrizes e parâmetros educacionais que começam a se preocupar com a questão da qualidade, ainda que atrelados ao próprio mercado mundial e que ganham força no século XXI.

Mas e a Pedagogia diante desses movimentos educacionais para a escolarização do século XX? Veja o quadro abaixo para compreender um pouco mais.

Quadro 1: A Pedagogia no Brasil do século XX

 

Retome o que foi estudado neste caminho de aprendizagem a partir da linha do tempo abaixo!

 

Linha do Tempo: A História da Educação Brasileira no século XX.

 

Leitura Complementar

 

Para saber mais sobre a educação do século XX no Brasil, acesse o artigo de Dermeval Saviani, “A escola pública brasileira no longo século XX”. Acesse o arquivo pelo link: http://sbhe.org.br/novo/congressos/cbhe3/Documentos/Coord/Eixo3/483.pdf

 

 

 

Resumo:

O início do século XX assistiu à criação da Associação Brasileira de Educação – ABE (1924) e à elaboração do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, enviado ao governo no ano de 1932. Tratava-se de um período de abertura democrática, em que fermentava o debate educacional. Viu, em seguida, a criação das Leis Orgânicas que foram fruto das Reformas promovidas por Gustavo Capanema, ministro da educação da época. Se de um lado o governo manteve uma postura centralizadora e ditatorial, por outro se preocupou em resolver a questão que relacionava educação e trabalho.

Com uma reabertura política após 1945 e uma nova Constituição Federal promulgada (1946), a educação ganhou força popular e uma ampla discussão acerca da elaboração da Primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB, que só seria sancionada em 1961.

Além disso, já por volta das décadas de 1950 e 1960, outros movimentos sócio-educacionais vão surgindo. Dentre eles, pode-se destacar as iniciativas de Paulo Freire e a alfabetização de adultos.

Vimos no período político militar que a educação passa por reformas, tais como a Reforma Universitária de 1968, a Reforma da LDB com a Lei 5.692 de 1971 (Ensinos de Primeiro e Segundo Graus) e o Mobral. Após 1985, com a efervescência da elaboração de uma nova Constituição Federal, que seria promulgada em 1988, fala-se também na ideia de se ter uma nova LDB (promulgada em 1996), em meio a um contexto de fortalecimento das instituições democráticas e movimentos sociais e políticos. O século XX se encerra com os movimentos para várias diretrizes e parâmetros educacionais que começam a se preocupar com a questão da qualidade.

 

Referências Bibliográficas

BUFFA, Ester e NOSELLA, Paolo. A educação negada: introdução ao estudo da educação contemporânea. 3 ed. São Paulo: Editora Cortez, 2001.

SAVIANI, Dermeval. A pedagogia no Brasil: História e Teoria. Campinas – SP: Editora Autores Associados, 2008.

__________. História das Ideias Pedagógicas no Brasil. 2 ed. Campinas – SP: Editora Autores Associados, 2008.

ROMANELLI, Otaíza. História da Educação no Brasil (1930/1973). 19 ed. Petrópolis – RJ: Editora Vozes, 1997.