sábado, 10 de dezembro de 2011

Dicas importantes

 Interpretação de texto com auxílio de materiais gráficos
(dica de trabalho de Mirella Cleto -professora da rede particular e
 co-autora de livros didáticos)
Introdução
A designação material gráfico diverso abrange um conjunto variado de textos nos quais a linguagem não-verbal está sempre presente (associada ou não à linguagem verbal). Nesse conjunto encontram-se, por exemplo, propagandas, tiras, charges, fotos, desenhos, esquemas, gráficos e tabelas. Este tipo de assunto é um dos temas da Prova Brasil.
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Planos de aula
Objetivos
• Obter informações a partir de gráficos.
• Comparar dados de gráficos distintos, mas com afinidade temática.
• Tirar conclusões a partir dos dados levantados.
Conteúdo
Leitura de material gráfico diverso

Anos
8.º e 9.º anos
Tempo estimado
2 ou 3 aulas
Material necessário
• Cópias do material gráfico publicado no jornal Folha de S. Paulo de 20 de novembro de 2007, p. C5: gráficos sobre a desigualdade racial na mortalidade.
• Cadernos
• Lápis


 
Desenvolvimento
1ª etapa

Inicie a atividade explicando aos alunos que eles farão um exercício de leitura e que o texto que será objeto desse exercício inclui a linguagem não-verbal. Verifique as hipóteses dos alunos para o tipo de texto que receberão e aproveite para avaliar seu conceito a respeito das modalidades verbal e não-verbal. Se necessário, esclareça.
2.ª etapa

Apresente os textos e pergunte à classe de que tipo de material gráfico se trata. Se for necessário, ajude a estabelecer a diferença entre tabela, esquema e gráfico, mencionando exemplos do cotidiano (tabela de jogos de um campeonato esportivo, esquema da transmissão de um vírus, gráfico do desmatamento no Brasil etc).
Estimule a classe a refletir sobre a função de materiais gráficos como esse, indagando: em que suporte eles costumam circular? Eles costumam constituir um texto isolado ou acompanham outros textos? Qual sua importância?
Chame a atenção da turma para a referência bibliográfica do material em questão e explique que ele acompanha uma notícia publicada no jornal sobre os resultados de um levantamento feito por dois pesquisadores.
3.ª etapa

Após o primeiro exame do texto pelos alunos esclareça eventuais dúvidas a respeito dos termos nele empregados. Convém deixar claro que as "causas externas" reúnem, além de homicídios, acidentes e outras causas não-naturais. As "causas mal definidas" indicam uma imprecisão no atendimento médico. O grupo designado por "negros" inclui pretos e pardos.
4.ª etapa

Ainda em uma leitura coletiva proponha questões sobre os elementos básicos de um gráfico: quem o produziu, o que ele investiga e quantifica e que título lhe foi atribuído. Isso é importante para que os alunos percebam o que devem levar em conta na primeira abordagem desse tipo de texto, a fim de realizarem leituras semelhantes de forma autônoma.
Sugestões
a) Qual a fonte do material gráfico publicado no jornal? O que se pode afirmar a respeito de sua credibilidade?
b) Os gráficos presentes nesse material apresentam o resultado de que investigação?
c) Você julga que os responsáveis por essa investigação tinham uma hipótese a ser confirmada?
d) Qual é o título geral do material gráfico? Esse título antecipa uma avaliação dos resultados apresentados?
e) Quais os títulos específicos das duas partes do material gráfico?
Aproveite para ver se os alunos identificam a frase "Homicídios e acidentes matam mais negros do que brancos" (na parte superior do texto) como um elemento estranho à estrutura desse tipo de material gráfico, por emitir uma interpretação dos dados apurados. Convém também certificar-se de que eles compreendem as siglas UFRJ e SUS, mencionadas na fonte do material gráfico.
5.ª etapa

Solicite aos alunos que formem trios de trabalho. Eles devem registrar em seus cadernos algumas constatações a partir do exame dos dados presentes nos gráficos. Se necessário, sugira um exemplo, dentre os que se seguem:

a) Entre os homens, os negros morrem mais por homicídios, e os brancos, por doenças.
b) De 1999 a 2005, cada vez menos mulheres brancas morriam por problemas no parto e cada vez mais negro morriam por esse motivo.
c) Os negros (homens e mulheres) e as mulheres brancas tiveram a mesma taxa de aumento na morte por HIV/Aids.
d) As mortes por causas mal definidas são mais expressivas entre os negros. 
Peça que cada grupo apresente suas observações. Se houver alguma que não se justifica pelos gráficos, ajude o grupo a rever sua conclusão.
Avaliação
Durante a leitura compartilhada analise o grau de dificuldade da turma em relação a esse tipo de material gráfico. Ao longo da apresentação dos grupos, analise a pertinência das observações feitas.
Além disso, proponha que os grupos respondam por escrito à questão seguinte: Depois de examinar os gráficos e de refletir sobre o que eles apresentam, que explicação você julga haver para a diferença entre as causas predominantes na morte de negros e as predominantes na morte de brancos? Examine posteriormente as respostas dadas e avalie se os alunos fizeram inferências desejadas, abordando questões econômicas, sociais e históricas.
O diagnóstico obtido por esses três instrumentos vai nortear com que frequência a atividade com material gráfico diverso deve ser proposta.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Uma boa dica

O livro "Vidas Secas" de Graciliano Ramos , possui em seu contexto o uso do Discurso indireto livre.Excelente para ser trabalhado em sala de aula com os alunos para entendimento do assunto.(Professora Netinha)

Helena Antipoff (1892-1974)





Nascida na Rússia, Helena Antipoff fez estudos superiores em Psicologia e
educação, em paris e Genebra. Em 1929, veio para o Brasil a convite do governo mineiro, para dirigir o laboratório de psicologia da Escola de Aperfeiçoamento de Professores de Belo Horizonte e colaborar na implantação da reforma de Ensino Francisco Campo, inspirada nos princípios da escola Nova.
            Radicou-se no Brasil, a partir dessa época desenvolveu trabalhos nas suas áreas de formação. Fundou a cadeira de psicologia da Educação na UFMG, e se destacou pelo pioneirismo na orientação socioconstrutivista, pela pesquisa em Psicologia Experimental e pelo estudo dos fundamentos da educação. O compromisso da aplicação da ciência na melhoria da condição humana é marca da trajetória de Helena Anatipoff.
            Criou em Minas Gerais a Sociedade Pestalozzi, em 1932, para a educação de excepcionais. Na Escola da Fazenda do Rosário instalada pela Sociedade, realizou a partir de 1940, um trabalho que propunha o desenvolvimento das aptidões individuais voltadas para o interesse comum, enfatizava a liberdade de escolha, a sociabilidade, a tomada de decisões em grupo e a criatividade. Liderou extensa obra educativa nas áreas de educação especial, educação rural e superdotação. Foi pioneira no trabalho de artes para pessoas portadoras de necessidades especiais, e a /fazenda tornou-se conhecida por seu belo trabalho de arte-educação.
            Helena manteve fortes laços profissionais e pessoais com Augusto Rodrigues, o criador da Escolinha de Arete do Brasil, que foi professor da Sociedade Pestalozzi do Brasil, criada por Helena, no Rio, em 1945. O apoio de Anísio Teixeira foi decisivo para a criação do Instituto Superior de Educação Rural (ISER) da Fazenda do Rosário em 1954, que tinha pro objetivo oferecer cursos e treinamento a professores da área rural. (fonte: CAMPOS, Regina Helena de Freitas in dicionário de educadores no Brasil, da Colônia aos dias atuais. Editora UFRJ: Inep-Campet).

Paulo Freire (1921-1997)







Paulo Freire foi um dos primeiros presos políticos da ditadura militar de 64. Duas semanas após o golpe, foi convocado a dar esclarecimentos  sobre sua pedagogia que , por propor a reflexão crítica sobre a realidade, era considerada  subversiva. A leitura da palavra é inseparável da leitura do mundo; ler o mundo é desvelar  estruturas geradoras da desigualdade e da opressão.
            Segundo Freire, a escola reproduzia a desigualdade por meio da “educação bancária”: depositava no aprendiz, como numa conta bancária, a informação que na avaliação era sacada. Se a classe dominante se utiliza da escola para veicular sua ideologia, a classe oprimida deve se utilizar dela para exercitar a crítica desde a raiz dos problemas, questionar as “verdades” da mídia, a ideologia dominante, desocultar o real. Freire define a prática pedagógica como política, meio para a construção de novas relações sociais.
            Sobre a prática política dos docentes, destaca que ao participar do movimento sindical, o educador dá a melhor lição sobre luta e emancipação da classe trabalhadora. Ao possibilitar ao aluno a vivência política do movimento sindical através de seu próprio exemplo. O educador educa para a transformação. Denuncia o neoliberalismo e sua tendência à mercantilização de todas as esferas da vida, inclusive a formação humana. Critica a substituição do pensamento crítico pelo pós-crítico ou simbólico, ao qual chamou de “simbolismo-diabólico”, por ocultar as estruturas dominantes.;
            Ser freireano hoje é recuperar o papel político do educador; construir o protagonismo de educadores e educandos na definição dos projetos político-pedagógicos; regatar a escola da ditadura do mercado e de seus representantes nas políticas educacionais, como os organismos internacionais; lutar contra a concepção naturalizada pelo neoliberalismo de que educar é treinar, de que formar se reduz a preparar para o mercado, a gerar empregabilidade. É ser capaz de educar para a indignação transformadora. (Por Aparecida Tiradentes, Doutora em /Educação pela UFRJ, professora da Fio Cruz)